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  • quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

    Jules e Jim


    autor: Bruno Boghossian


    Tu m’a dit « je t’aime »
    Je t’ai dit « attend »
    J’allais dire « prend moi »
    Tu m’a dit « vas-t’en »

    Jules e Jim (1962) pode ser visto como um fragmento da filmografia de François Truffaut, uma autêntica obra de um autêntico autor da nouvelle vague. E a palavra “autor” não é usado levianamente: toda a obra do diretor apresenta uma marca autoral, freqüentemente relacionada a movimentos de inovação cinematográfica. O termo é fruto da chamada “política dos autores”, teorizada pela revista Cahiers du Cinéma, na década de 1950 na França.

    Baseado no romance homônimo de Henri-Pierre Roché, Jules e Jim é apenas uma das provas da habilidade de Truffaut como mais do que um diretor, mas exatamente como auteur. Narrativa, mise-en-scène, montagem e fotografia magistrais construíram uma verdadeira obra da arte cinematográfica, baseada em uma história formatada de maneira fundamentalmente convencional.
    De fato, a narrativa, apesar de uma cronologia linear, é arquitetada perfeitamente na direção e na edição. A própria narração em off, sempre acelerada, não é puramente explicativa ou semelhante às narrativas comuns em outros filmes e romances. O diretor cria uma narrativa desconcertante não só pelo tema, mas também pela valorização de diálogos banais, da linguagem cotidiana, da narrativa rápida e da montagem inovadora: todas marcas da nouvelle vague em geral.


    Visto no século XXI, Jules e Jim pode deixar de traduzir a temática não exatamente polêmica, mas que certamente levantava diversos questionamentos de ordem política, social e sexual. Ambientado antes, durante e depois da Primeira Guerra Mundial, mas produzido na década de 1960, o filme também quebrava as regras do “fazer cinema”, a base da vanguarda cinematográfica da época.

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